Óleo de orégano a fundo · a semente preta

Óleo de cominho-preto (semente preta): o que é e o que se sabe

Atualizado em 8 min de leitura14 fontes

óleo fixo (prensado) 30–38% óleo essencial 0,18–2,5% do peso da semente (BAPP)
  • 30–38% da semente é óleo fixo, o que sai na prensa (BAPP, 2022)
  • 0,037–2,023% de timoquinona em 10 cápsulas de óleo vendidas na Turquia (BAPP, 2022)
  • 5 de 110 desfechos com evidência moderada em 20 metanálises; nenhum com alta (Li e colegas, 2023)

Cominho-preto e semente preta são nomes populares da Nigella sativa, planta da família Ranunculaceae[1][2], e não do cominho do tempero, que é Cuminum cyminum[5]. O óleo das cápsulas medidas no boletim BAPP era o óleo fixo, prensado da semente, que tem de 30% a 38% dele[2]. A timoquinona, o composto mais citado, variou de 0,037% a 2,023% em cápsulas de um mesmo país[2]. Abaixo: os nomes, o que tem no óleo, o que os estudos em pessoas mediram e quem deve ter cuidado.

Resposta curta

  • Nigella sativa é da família Ranunculaceae; o cominho do tempero, Cuminum cyminum, é de outra família, Apiaceae[1][5].
  • A semente tem de 30% a 38% de óleo fixo, rico em ácido linoleico, e de 0,18% a 2,5% de óleo essencial[2].
  • A timoquinona do óleo prensado varia com a semente, a extração, o armazenamento e a idade do óleo: de 0,05% a 0,619% em 10 óleos turcos[2].
  • Numa revisão de 20 metanálises em pessoas, 5 de 110 desfechos tiveram evidência moderada e nenhum teve alta; 15 metanálises tinham qualidade criticamente baixa[8].

Ficha rápida

Planta
Nigella sativa L., família Ranunculaceae (Kew, POWO)
Origem
Nativa da Romênia ao oeste e sudoeste do Irã
Outros nomes
Cominho-preto, black seed, black cumin, kalonji
Não confundir com
Cominho do tempero (Cuminum cyminum, Apiaceae)
Óleo fixo na semente
30% a 38%; ácido linoleico de 50% a 60% dele
Óleo essencial na semente
0,18% a 2,5%
Timoquinona em óleos prensados
0,05% a 0,873% em óleos da Turquia e dos EUA
Fígado
Nota E no LiverTox, que não é atestado de segurança; um relato de caso grave em 2025

Cominho-preto e semente preta são a mesma planta?

São a mesma planta: cominho-preto e semente preta, e também black seed, black cumin e kalonji, designam a Nigella sativa, planta anual da família Ranunculaceae, nativa da Romênia ao oeste e sudoeste do Irã, segundo o catálogo de plantas do Kew[1][3]. O boletim de adulteração botânica BAPP registra “cominho-preto” como o nome em português[2].

O nome engana porque o cominho do tempero é outra planta, Cuminum cyminum, da família Apiaceae: é o “cominho” da lista de especiarias da Anvisa, que não traz a Nigella[5]. “Black cumin” também é nome de uma terceira planta, Bunium persicum, da família Apiaceae[12]. A semente preta inteira ainda pode ser trocada por sementes parecidas, como a de cebola[2].

Três plantas chamadas de cominho
Nome científicoFamíliaComo aparece
Nigella sativaRanunculaceae[1]Cominho-preto, semente preta, black seed[2]
Cuminum cyminumApiaceae[5]O cominho do tempero, na lista da Anvisa[5]
Bunium persicumApiaceae[12]Também chamado de black cumin em inglês[12]

O que tem no óleo de cominho-preto?

O óleo de cominho-preto é, sobretudo, gordura. A semente tem de 30% a 38% de óleo fixo, e esse óleo tem de 50% a 60% de ácido linoleico, de 20% a 23,4% de oleico e 12,5% de palmítico, além de esteróis e tocoferóis[2].

O óleo essencial, a parte volátil, é bem menor: de 0,18% a 2,5% da semente, e nele aparecem p-cimeno, timoquinona e de 6% a 12% de carvacrol[2].

As cápsulas medidas no estudo turco citado pelo boletim eram de óleo fixo prensado a frio; o essencial sai por destilação[2]. A timoquinona fica no óleo prensado em pouca quantidade: em seis lotes vendidos nos Estados Unidos, de 3,48 a 8,73 mg por grama, ou 0,348% a 0,873%[6][2]. O carvacrol do óleo essencial da semente é o mesmo composto do orégano, explicado na página sobre o carvacrol, a molécula e as plantas que o têm.

Os dois óleos da semente preta
CaracterísticaÓleo fixoÓleo essencial
Quanto há na semente30% a 38%[2]0,18% a 2,5%[2]
Como saiPrensa ou extração[2]Destilação a vapor ou hidrodestilação[2]
Principais compostosÁcido linoleico, oleico e palmítico[2]p-Cimeno, timoquinona, α-tujeno, carvacrol[2]
Timoquinona0,348% a 0,873% em lotes dos EUA[6]28% a 57% do óleo volátil, segundo o Drugs.com[4]

Por que a timoquinona varia tanto entre óleos?

A timoquinona do óleo de cominho-preto varia porque depende do quimiotipo e da origem da semente, do método de extração, do armazenamento e da idade do óleo, segundo o boletim BAPP[2]. Em 10 óleos prensados a frio vendidos na Turquia, ela foi de 0,05% a 0,619%; em 10 cápsulas do mesmo país, de 0,037% a 2,023%, uma diferença de mais de 50 vezes (conta nossa)[2].

Timoquinona no óleo de semente preta (% do óleo)
  • Óleos prensados a frio, Turquia (10)[2]0,05–0,619%
  • Cápsulas vendidas na Turquia (10)[2]0,037–2,023%
  • Óleos prensados a frio, EUA (6)[6]0,348–0,873%

Entre parênteses, o número de amostras. Faixas reunidas no boletim BAPP (2022, revisto em 2023), de estudos de 2017 (Turquia) e 2010 (EUA).

O óleo também é diluído com óleos mais baratos, e o boletim diz que não há estudo amplo da frequência. No maior que ele cita, 5 de 40 amostras comerciais (12,5%) eram suspeitas[2]. Até 2023, não havia monografia aceita nas farmacopeias dos Estados Unidos e da Europa para padronizar o óleo[2]; em 2025, a farmacopeia americana (USP) publicou a proposta de uma, com teste de timoquinona e carvacrol[11].

O que os estudos em pessoas mediram?

Os estudos em pessoas com cominho-preto incluem metanálises, com evidência fraca. Numa delas, com 11 ensaios e 666 pessoas com pré-diabetes ou diabetes tipo 2, a glicemia de jejum ficou 24,18 mg/dL abaixo da do grupo de comparação em 10 ensaios, e a hemoglobina glicada, 0,54 ponto abaixo em 7; a certeza foi classificada como baixa e muito baixa[7].

Sete dos ensaios foram no Irã, e os resultados variaram muito entre eles[7].

Nesses ensaios, as quantidades foram de 0,9 a 5 g por dia, de 2 a 6 meses, quase sempre em óleo[7]; não são recomendação de consumo, e nenhum desses ensaios testou o Óleo de Orégano OROVITA nem a combinação com óleo de orégano. Uma revisão de 20 metanálises sobre a semente achou evidência moderada em 5 de 110 desfechos, nenhuma alta, e qualidade criticamente baixa em 15 metanálises[8]. O LiverTox, dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, registra que os efeitos atribuídos à semente não foram demonstrados de forma consistente em ensaios em pessoas[9].

Óleo de cominho-preto faz mal? Quem deve ter cuidado?

Os efeitos relatados nos estudos com cominho-preto são, em geral, leves e digestivos, mas os estudos registraram pouco, e há um relato grave de caso (abaixo). Só 5 de 20 metanálises relataram efeitos adversos: dor de estômago, diarreia, náusea, vômito, fraqueza e perda de peso, sem nenhum grave; a maioria dos estudos nem relatou efeitos adversos[8].

O LiverTox dá nota E, causa improvável de lesão no fígado[9], o que não é atestado de segurança.

  • Remédios: o Memorial Sloan Kettering orienta não tomar a Nigella junto com remédios processados pelas enzimas do citocromo P450, porque ela inibe a CYP2D6 e a CYP3A4 e pode aumentar os efeitos colaterais deles; a timoquinona também inibiu a ação da varfarina. A relevância clínica das duas interações não é conhecida[3]. Os casos estão na página sobre semente preta junto com remédio.
  • Gravidez: a semente tem fama de estimular a menstruação, e a orientação é evitar na gravidez[4]; uma portaria francesa de 2014 exige aviso no rótulo para gestantes, lactantes, crianças e adolescentes, segundo o BAPP[2].
  • Fígado: em 2025 saiu o relato de uma paciente de 82 anos, em hemodiálise e com vários remédios, que teve insuficiência hepática aguda, com morte, depois de um mês de cápsulas de óleo de semente preta; não houve avaliação formal de causalidade, então o relato não prova a causa[14]. Os detalhes estão na página sobre cominho-preto, orégano e fígado.
  • Pele: há relatos de dermatite de contato com o óleo aplicado na pele[3][4].
  • Rim: há um relato de caso de insuficiência renal aguda numa pessoa com diabetes, doença coronariana e pressão alta que tomava 2.000 a 2.500 mg por dia em comprimidos; outro autor contestou a ligação com a semente[10].

O óleo de orégano, que muitas cápsulas trazem junto, tem a própria lista: quem não deve tomar óleo de orégano.

A semente preta é usada como tempero?

Sim, a semente preta é usada como tempero: é cultivada como especiaria e polvilhada sobre pães, além de entrar em pratos de cordeiro e frango, curries, iogurte, saladas, queijo fresco e picles, sobretudo no Oriente Médio e na Ásia[2]. Nos Estados Unidos, a semente e o óleo são reconhecidos como seguros para uso como tempero e aroma, segundo o BAPP[2].

Uma avaliação de 2022 concluiu que a semente é segura como ingrediente de alimento nas quantidades históricas de consumo[13]. Essa conclusão vale para o tempero, não para cápsulas de vários gramas por dia. O que muda entre comer o tempero e tomar o óleo concentrado está na página sobre as formas de tomar óleo de orégano.

Perguntas frequentes

Cominho-preto e cominho são a mesma coisa?

Não. O cominho-preto é a Nigella sativa, da família Ranunculaceae. O cominho do tempero é o Cuminum cyminum, da família Apiaceae, a planta que a Anvisa lista como especiaria.

Óleo de cominho-preto e óleo de semente preta são o mesmo produto?

São nomes do mesmo óleo, tirado da semente da Nigella sativa. O que muda entre produtos é se é óleo fixo, o prensado, ou óleo essencial, o destilado, e quanta timoquinona tem.

Quanto de timoquinona tem um bom óleo de cominho-preto?

Não encontramos mínimo oficial. Em óleos prensados a frio, as medidas foram de 0,05% a 0,873% (Turquia e EUA); em cápsulas turcas, de 0,037% a 2,023%. Para comparar, peça a timoquinona medida no lote, com o método.

Cominho-preto é o mesmo que gergelim preto?

Não. O gergelim preto é outra planta, e o boletim BAPP o cita como uma das sementes usadas para adulterar a semente preta inteira, junto com a de cebola.

Pode tomar óleo de cominho-preto na gravidez?

O Drugs.com orienta evitar, porque a semente tem fama de estimular a menstruação, e uma portaria francesa de 2014 pede aviso para gestantes e lactantes no rótulo (BAPP). Fale com o médico.

Óleo de cominho-preto tem efeito comprovado?

Não no sentido de evidência forte. Numa revisão de 20 metanálises, nenhum dos 110 desfechos teve evidência alta e só 5 tiveram moderada (Li e colegas, 2023). O LiverTox diz que os efeitos atribuídos não foram demonstrados de forma consistente em pessoas.

Fontes

  1. Nigella sativa L. (Plants of the World Online), consultado em outubro de 2026. Royal Botanic Gardens, Kew, 2026. powo.science.kew.org
  2. Adulteration of nigella (Nigella sativa) seed and seed oil (Botanical Adulterants Prevention Bulletin, versão 2 de setembro de 2023). Orhan N — ABC-AHP-NCNPR Botanical Adulterants Prevention Program, 2022. umb.herbalgram.org
  3. Nigella sativa (About Herbs, atualizado em 10 de agosto de 2023). Memorial Sloan Kettering Cancer Center, 2023. mskcc.org
  4. Kalonji (Natural Products, atualizado em 2 de julho de 2026). Drugs.com (base de produtos naturais), 2026. drugs.com
  5. Instrução Normativa IN nº 159, de 1º de julho de 2022 (partes de espécies vegetais autorizadas para chás e especiarias), texto vigente. Anvisa, 2022. anvisalegis.datalegis.net
  6. Fatty acid profile, thymoquinone content, oxidative stability, and antioxidant properties of cold-pressed black cumin seed oils (LWT 43(9):1409). Lutterodt H, Luther M, Slavin M, Yin JJ, Parry J, Gao JM, Yu L, 2010. doi.org
  7. Nigella sativa supplementation improves cardiometabolic indicators in population with prediabetes and type 2 diabetes mellitus: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials (Front Nutr 9:977756). Saadati S, Naseri K, Asbaghi O, Abhari K, Zhang P, Li HB, Gan RY, 2022. doi.org
  8. Nigella sativa and health outcomes: an overview of systematic reviews and meta-analyses (Front Nutr 10:1107750). Li Z, Wang Y, Xu Q, Ma J, Li X, Yan J, Tian Y, Wen Y, Chen T, 2023. doi.org
  9. Black cumin seed (LiverTox: Clinical and Research Information on Drug-Induced Liver Injury, atualizado em 27 de abril de 2023). NIDDK — Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, 2023. ncbi.nlm.nih.gov
  10. Review on clinical trials of black seed (Nigella sativa) and its active constituent, thymoquinone (J Pharmacopuncture 20(3):179). Tavakkoli A, Mahdian V, Razavi BM, Hosseinzadeh H, 2017. pmc.ncbi.nlm.nih.gov
  11. Black Cumin Seed Oil (Dietary Supplement Monographs, proposta de monografia nova). United States Pharmacopeia (USP-NF), 2025. doi.usp.org
  12. Deciphering the biosynthesis pathway of gamma terpinene cuminaldehyde and para cymene in the fruit of Bunium persicum (Sci Rep 15(1):22438). Samandari-Bahraseman MR, Hajibarati M, Khorsand B, Soltani N, Esmaeilzadeh-Salestani K, Loit E, 2025. doi.org
  13. Assessment of black cumin (Nigella sativa L.) as a food ingredient and putative therapeutic agent (Regul Toxicol Pharmacol 128:105088). Burdock GA, 2022. doi.org
  14. Black seed oil induced acute liver failure: a case report and literature review (J Compr Surg 3(2):37–39). Polat EC, Zorbuna S, Koç A, 2025. doi.org

Sobre esta página

Quem escreveu: equipe editorial da OROVITA, a partir das fontes listadas acima, abertas e conferidas uma a uma em outubro de 2026. Cada número traz a fonte e o ano; nada foi arredondado sem aviso.

Conflito de interesse: a OROVITA vende Óleo de Orégano com Óleo de Semente Preta. Por isso esta página diz também o que a evidência não mostra, separa estudo em pessoas de estudo em laboratório e não liga nenhum resultado a produto, o nosso inclusive.

Não é orientação médica. Suplemento alimentar não trata, cura nem previne doença. Se você usa remédio contínuo, está grávida ou amamentando, fale com um profissional de saúde antes. Achou um erro? Escreva para administracao@orovita.com.br e corrigimos com a data. Como escrevemos nossos guias.